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             Entendemos que um dos pontos mais interessantes para o estudo da formação das fronteiras seja o exame das guerras e conflitos transcorridos no arcabouço de sua construção, sejam eles devidos às questões da esfera diplomática, econômica, territoriais, linguísticas, ou a problemas decorrentes da rigidez dos limites fronteiriços e da identidade territorial que deles derivam. Em todas essas questões, a presença das Forças Armadas é um ponto recorrente. Da fronteira sul até a Amazônia, a presença de tropas se fez constante na tentativa de estabelecer o domínio territorial e garantir sua soberania.

             Identificamos que os estudos dessa presença e atuação ainda são escassos, embora seja notório que a História do Brasil e a história das suas Instituições Militares tenham caminhado pari passu. Desde o limiar da expansão territorial além de Tordesillhas, da expulsão de estrangeiros de nossa terra, da pacificação do Império até sua consolidação nas lutas platinas e do advento da República, a figura do Soldado foi elemento determinante nos rumos que a Nação trilhou. Um dos pontos mais interessantes para o estudo da formação das fronteiras seria o exame das guerras e conflitos decorridos no processo como um todo. Estes ocorriam devidos às questões diplomáticas, econômicas, territoriais, e formação do espaço geográfico. Em todas essas questões, a presença das forças armadas é talvez o ponto recorrente. Da fronteira da Amazônia à fronteira sul do Brasil, recorte espacial dessa investigação, a presença de tropas se fez constante na tentativa de estabelecer o domínio territorial, estimular a vivificação e garantir a soberania.

             Além disso, os estudos de casos e as abordagens regionais, de uma maneira geral, foram pouco discutidos pela bibliografia brasileira. Entre eles podemos elencar a Guerra do Chaco (1932-1935), entre Paraguai e Bolívia, e a Questão Letícia (1932-1934), conflito entre o Peru e a Colômbia, do qual o Brasil foi árbitro através das ações diplomáticas do general Rondon. Daí a necessidade de uma maior integração e cooperação de pesquisa em nível nacional e internacional.

             Com essa rede procuraremos contribuir com a interdisciplinaridade para o desenvolvimento de uma análise bibliográfica, teórica e metodológica, plural e inovadora, com a inserção, inclusive, de novas fontes de pesquisa, ao levantar a pauta das discussões entre as questões políticas, sociais, culturais e econômicas, aprofundando a compreensão da política nacional e internacional na construção dos Estados Nacionais ao longo do território americano. Trabalharemos, assim, com o conceito de redes de interação de pesquisas, que tenham seu foco em produzir e atualizar conhecimentos sobre estudos das Forças Armadas, das fronteiras e do território.

             Este projeto está ligado à própria trajetória acadêmica dos investigadores, do Laboratório de História Militar, Política e Fronteiras do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira (PPGH-UNIVERSO), do Mestrado de Estudos de Fronteiras da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (MEF-UFMS), do Centro de Estudos de Fronteira General Padilha da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (CEF-UEMS), do Centro de Investigação e Desenvolvimento sobre Direito e Sociedade (CEDICS) da Universidade Nova de Lisboa, e do Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército (CEPHIMEx) da Diretoria de Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx).

             Assim, acreditamos que a proposta de uma Rede de Pesquisadores Internacionais de Fronteiras, Integração e Conflitos (REDE HERMES) se faz oportuna, pois, além de viabilizar os estudos de regiões ainda tão carentes de análise, deverá agregar investigadores e Centros de Pesquisas com o objetivo de produzir conhecimento acerca da temática, relacionando o estudo da chamada História Militar com os espaços fronteiriços de formatação do território, tendo como premissa a interdisciplinaridade.

Observamos ainda que os pesquisadores associados, oriundos de diferentes instituições, compartilham o interesse pelo tema, funcionando a rede como um espaço de discussão envolvendo conceituações, análises bibliográficas e modelos teóricos, para o qual contribuirá o seu caráter interdisciplinar e a variedade de recortes temporais contemplados pelos seus estudos.